segunda-feira, 13 de agosto de 2012

IMAGEM DO MEU PRANTO


Imagine, veja, sinta esta chuva,
é toda a abóbada que se curva,
e, caindo, transbordante vem à terra...
É toda ternura, que em pranto se encerra.
  
Pare, admire, glorifique esta dádiva,
deixe-a misturar-se com tua saliva,
deixe que tuas entranhas ela toque,
beba mais, deixe que ela te sufoque.
  
Sim, quero que faças tudo isto,
quero também que lembres que eu existo,
para o céu, quero que olhes bem agora,
não é o céu, e sim, meu rosto que chora.
  
Eis meus olhos vermelhos por este pranto,
este que sempre repudiastes tanto,
penetrou em tua alma... Sinta teu calor...
Sentistes, agora, a chama do meu amor?
  
Sim, sentistes. Glórias aos céus, proclamo!
Corra, vá dizer ao mundo, que te amo,
não com o de sempre, tom zombeteiro,
mas, como é digno um amor verdadeiro.
  

tioed (12/10/1971)

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