Odeio aquelas almas onde encontro escrito,
uma história que um outro, antes de mim, viveu.
Dentro de um grande amor, o amor próprio se irrita,
encontrando um romance que não seja o seu.
Quero uma alma que seja inteiramente pura,
simples, onde não haja escrita uma só linha,
onde possa deixar um pouco de ventura,
aquela que pouco a pouco haverá de ser só minha.
Quero um amor de egoísta, todo meu, por inteiro,
que não traga um vestígio de afeição, sequer.
Se para ele eu não for o seu sonho primeiro,
desde já renuncio, à outro coração qualquer.
Somente assim desejo e quero ser amado,
e um grande amor assim, possa sentir.
Hei de ser o seu presente, hei de ser o seu passado,
e a esperança feliz, que doure o seu porvir.
Para um perfeito ideal, preencher minha vida,
ser toda minha crença, ou meu viver de ateu.
Não quero a alma que foi, por outro amor possuída,
nem quero aquele amor, que por um dia não foi meu.
Quero o amor em botão, fechado, pequenino,
que ao calor dos meus beijos, haverá de se abrir, então,
para ser a razão do meu próprio destino,
e a grandeza imortal,, da minha inspiração.
tio ed 1968